30 dias sem
24 maio, 2012
O que você não vive sem? Internet? Garanto. As novidades tecnológicas nos tornaram dependentes de coisas que jamais foram necessárias por séculos e mais séculos. O que mais? Não consegue viver sem carboidratos, por exemplo? Quando vê, colocou uma fatia de pão quase inteira na boca e lembrou da dieta do sem carboidrato. Sem o que… doces, sexo, televisão, celular, música, refrigerante, cerveja… Qual a tua dependência?
Toda vez que alguém começa uma dieta pensamos: ficar alguns dias sem guloseimas e exageros gastronômicos é moleza. Talvez quem pensa isso jamais se determinou a ficar sem o que gosta. A proposta é a seguinte, 30 dias, um mês sem fazer o que se gosta, o que parece ser essencial. Vasculhei na mente qual seria a proposta mais dolorosa para mim e concluí. O pior seriam os 30 dias sem internet. Quando li um blog que propôs o abandono das redes sociais, sites de informação e blogs engraçadinhos, pensei que seria uma boa ideia. Seria.. leu bem. Não tem a menor possibilidade de que eu fique um mês sem internet.
Ta aí minha dependência. Desde que foram criados flogões para as fotos, orkut para troca de mensagens, blogs de moda, piadas, assuntos femininos e de comunicação, cai na armadilha e nunca mais saí. Um mês sem internet significa o abandono da minha vida profissional, para começar, e social para terminar no tal facebook. Claro, muito melhor é jornalista na rua, a notícia está lá. Entrevista por email não tem encanto, não pegamos as informações sublinhares, os trejeitos do entrevistado, a deixa que vai dar a manchete. Mas o meio de divulgação é essencial, e ele passa pela rede.
Na vida social, muito melhor que postar a foto da festa no facebook é estar na festa, com os amigos, contando histórias, dançando, rindo. E se sair uma foto, tem que ser espontânea, porque tem gente que vai pra festa só pra tirar foto e postar nas redes sociais. Vida real deve ser o conteúdo da vida virtual e só. Não dá para viver sem internet hoje, concordo, a menos que estejamos de férias, num lugar esplêndido. Mas para tocar a vida virtual, precisamos da vida real. Meio óbvio, mas bem que o vício tem nos deixado questionar algumas vezes se não é melhor ficar em casa em frente ao computador do que sair… Ainda não aconteceu comigo, mas estou cuidando para que eu não precise logo mais de rehab.
Jornalista sem vergonha
4 maio, 2012
É proibido não perguntar. Todas as dúvidas, das mais simples até os questionamentos mais reveladores precisam ser equacionados. Sendo assim, nós, os jornalistas, não podemos em hipótese alguma sermos tímidos, correto? Mas, da minha experiência afirmo, a maioria dos colegas que tive na Unisinos, no início do curso, enrubescia ao indagar um professor, que dirá fazer uma entrevista ensaiando a profissão, mesmo sendo dentro da Unisinos. O coração parecia parar, revelando a inexperiência aliada ao medo de parecer ingênuo.
Sabe aquela máxima do colega te dando uma cotovelada de leve, sussurrando “fala tu primeiro” ou “tu começa falando”, são algumas das expressões comuns no início do curso. Mas, assim como a carreira profissional impõe agilidade, a vida acadêmica foi criando o molejo necessário. As perguntas já não envergonhavam mais… Começava aí a criação do jornalista sem vergonha.
Um jornalista sem vergonha é aquele que fuça tudo, que tem dúvidas sobre como se escreve uma palavra, que pede para soletrar o sobrenome alemão da fonte, que repete a pergunta por não ter entendido o que o entrevistado quis dizer. Jornalista também tem que pedir desculpas quando erra, e ser orgulhoso a ponto de se negar a fazê-lo denota falta de experiência.
Todo jornalista não pode ter vergonha de pedir para conhecer o local da entrevista, de experimentar a receita que ilustra a matéria, de fazer aquela pergunta essencial na coletiva, de colocar a fonte contra a parede, de dar voltas e voltas até fazer ele revelar o que você quer.
Jornalista sem vergonha de chegar no estúdio de rádio para comentar as últimas, de aparecer no vídeo totalmente a vontade, de insistir aos amigos que visitem o seu blog. De carregar câmera, bloco e caneta sempre, criando um declive no ombro pelo peso da bolsa. A carreira, com o passar do tempo, vai te deixando mais ousado, e a timidez juvenil fica perdida nos primeiros dias de introdução ao jornalismo.
Fina Ironia
3 dezembro, 2011
Acho bem mais inteligente uma conversa com pitadas de ironia. Ou melhor, inteligente não é bem a palavra… Uma conversa é bem mais interessante quando vem com alguma ironia no meio dela. Isso porque é bem mais interessante dizer aquilo que realmente pensamos, e talvez a maneira mais “singela” para isso, seja através de uma certa ironia. Mas aí você se pergunta: Ironia não é justamente dizer o contrário do que se pensa?
Aí que entra a singeleza da qual vinha falando! É bem mais fácil ser sincera em um tom sarcástico do que jogar a verdade com olhos marejados em cima do seu amigo, familiar, colega. Assim encontramos um meio de dizer o que realmente queremos, tendo uma certa distância emocional no momento, o que pode levar o outro a repensar, agir de outra forma, ou entender de uma vez o que você acha ou não sobre um assunto. Agora ser irônico pode parecer um defeito, mas eu vejo a característica quase como um dom.
Mas a ironia não é entendida por todos. Isso porque existe milhares de ouvintes. Você pode passar a vida inteira dizendo a verdade ironicamente para o cidadão, e ele não entender e ficar pensando no que você realmente quis dizer com aquilo. Como jornalista, posso afirmar que conheci diversos sarcásticos. Arrisco dizer que é a raça mais irônica que perambula nesse mundão. É comum ver os jornalistas sentados em um bar, conversando com sarcasmo sobre vários assuntos, rindo para valer. Estou com saudades daquelas conversas… Sério mesmo!
Na verdade, sou bem mais irônica conversando do que escrevendo. Por isso, acho que vale terminar esse post com algumas frases do mais célebre dos escritores irônicos deste país, Machado de Assis. ”Um dos defeitos mais gerais, entre nós, é achar sério o que é ridículo, e ridículo o que é sério, pois o tato para acertar nestas coisas é também uma virtude do povo.” Em “Ao Acaso” (28 de março 1865). Ou ainda, deixar a sugestão do chargista Millôr Fernandes, de usar o ponto de ironia, para os mais “sabidos” compreenderem quando se está fazendo piada das circunstâncias.
Paixão Insaciável
8 abril, 2011
Olhando com curiosidade, caminhando entre as pernas dos adultos, tentando assimilar do que falavam é uma visão que tenho da minha infância. Eu mesma cheguei a pensar que era uma menina metida, bisbilhoteira, não deveria estar ali querendo saber dos assuntos dos mais velhos, e que por vez ou outra, acabava até dando meus pitacos. Poucas vezes recebi olhares de desaprovação, e por isso que hoje constato que o que eu fazia era um sinal do que eu seria dali alguns anos.
Ninguém pode tirar de mim a vontade de saber, de estar por dentro de tudo que acontece ao meu redor, e fora dele, claro. Em meio aos livros da biblioteca com histórias de princesas traiçoeiras, um dos meus livros infantis prediletos, quando a singela moça joga cacos de vidro pela janela para impedir o pássaro falante de revelar seu segredo ao príncipe, percebi aos poucos que não era uma menina frágil e que aceitava os padrões. Infelizmente não faço menor ideia do nome do livro, mas ele vem hora ou outra em minha memória, me faz ter uma noção da minha voracidade em conquistar meus sonhos. Jamais tomei aquele conto como exemplo de vida, porém, deveras sinto que sempre fui uma princesa inquieta, por assim dizer.
Em meio aos sonhos, tornei-me hoje uma jornalista. Diplomada, como manda o figurino. Outros que não creem que alguém ainda persista no sonho de conquistar o diploma de comunicação social, eu rebati com ele em punho, orgulhosa da aquisição. E ela começou, como eu dizia, quando criança. Aos amigos e toda vizinhança que participava do clube que intitulei Fantasia, muitos afazeres eram praticados durante o dia, como cantar, dançar, fazer buquês de mato, correr, e entoar o hino do clube. Depois disso, a ordem era contar em uma folha de caderno o que cada um fez durante o dia. Parece mais coisa de professora, mas o que eu gostava mesmo era de fazer parte da vida de todos, e poder contar a todos nossos feitos.
Bem mais tarde, no ensino médio, vieram o jornal e rádio do grêmio estudantil. Tínhamos coluna social, notícias esportivas, carta do leitor e demais interesses dos adolescentes em ebulição. A rádio era nosso libertador, onde pedíamos menos temas e mais feriados! Depois rock gaúcho misturado aos rebolations da época.
Logo mais, chegou a hora de definir o que eu faria depois de concluir o antigo segundo grau. Jamais havia parado para pensar no assunto, apesar de todas evidências comunicativas pulularem no meu dia-a-dia. Ter pai e mãe trabalhando no que fora o único jornal da minha cidade não era nenhum motivo. Pelo menos eu achava que não. Então, a professora de literatura, que não admitia alunos à deriva, percebeu um momento que estávamos quase fugindo mentalmente da sua aula, e perguntou num súbito, para que prestaríamos vestibular. Até chegar a minha vez de responder, fiquei apenas escutando as outras respostas. Administração, contábeis, matemática, biologia, comércio exterior, letras… E eu? Hã, profe, é jornalismo! Pronto, eu já sabia, como diriam os cartazes de final de campeonato brasileiro, eu sabia que era isso.
No âmago de minha alma estava a resposta, como quem nasce com destino, apesar de não acreditar nisso. Mas eu sabia. O que mais amo fazer é manter as pessoas informadas, e tenho essa maldita convicção de atender corretamente aos anseios da maioria. Brasileira que não quer se dar bem? Essa carga totalmente inviável que nos afasta de sermos considerados os melhores. Porém, levanto a bandeira de que temos uma mídia admirável, e nela que me inspirei para ser jornalista. Carrego essa profissão com orgulho, mesmo sendo oficialmente jornalista há pouco tempo. A sensação de levar a todos oportunidades de melhora, e de que estejam a par de quem são para uma sociedade plena, com capacidade de entendimento dos seus direitos e deveres, que muitos não mostram interesse de lhes conferir, é um desejo meu e me inspira! A menina que rodeia e sapateia em volta dos adultos agora quer levar a eles também um motivo para conversar, discutir e planejar!
É dessa forma que quero homenagear todos meus amigos jornalistas, que escolheram essa profissão que é uma paixão insaciável, assim como afirmou sabiamente Gabriel Garcia Marquez. Tenho absoluta certeza que o desejo de ser jornalista apareceu para todos em um momento súbito, do qual foi impossível fugir e muito menos ignorar!
Mudança é movimento
6 abril, 2011
Mudança é movimento. E movimento é inspiração. Inspiração é melhora. E misturando tudo isso ganhamos renovação. Novos ares é o que tem hoje o jornal Expressão Regional, com a sua nova redação, situada na Rua Guilherme Lutz. Após duas décadas com a sede no prédio do senhor Simplício Junges, na Avenida Duque de Caxias, resolvemos mudar. Muitas histórias se concretizaram no antigo espaço, que sempre foi muito acolhedor, uma vez que muitas pessoas já passaram por lá, nas várias peças que os Junges alugam. Com certeza foram boas histórias. Alguns momentos ruins, claro, mas que serviram para enobrecer e dignificar a luta diária de manter um jornal em uma cidade pequena como Salvador do Sul.
A simples troca de espaço físico me fez refletir a importância de renovar todo dia mais e mais. E ultimamente essa tem sido uma constante no Expressão, o antigo Folha de Salvador. No ano de 2009 completamos 10 anos de Expressão Regional, com a credibilidade mais fortalecida e o alcance cada vez maior de leitores, nosso maior orgulho. Somos gratos aos leitores, que são nossa matéria-prima e ao mesmo tempo responsáveis por nossa procura em honrá-los com notícias fidedignas e às opiniões de todos os lados.
Em 2010, mais uma mudança para pontuar nossa história. Passamos a circular também no mundo das cores. Com as páginas centrais, capa e contra-capa coloridas, ganhamos a aprovação dos leitores, anunciantes e amigos. Mais um passo certeiro e na hora certa. Todos clamavam por essa mudança. E logo mais, no mesmo ano, o Expressão Regional aumentou o número de páginas. De doze fomos para dezesseis. As informações pediam mais espaço, e não podemos ignorar isso de maneira alguma. E queremos lembrar que isso também será por pouco tempo. Logo mais teremos mais páginas e mais novidades.
Graças à incansável dedicação de dois personagens que estão desde a fundação do Folha de Salvador até o surgimento do Expressão Regional, estamos aqui, prontos para novos desafios. João Canisio Hoffmann e Ceres Regina Lobato Freitas são individualmente importantes na história desse jornal, e juntos assumindo suas devidas atividades, imbatíveis na sustentação desse periódico. Cada um com sua característica mais forte enaltecem as qualidades da boa informação e organização da empresa.
E ainda não posso deixar de lembrar daqueles que enobrecem também o conteúdo do nosso semanário. Os colunistas, que são importantíssimos na construção diária da credibilidade do Expressão. Temos o professor Erno Kirch, que desde o jornal Folha de Salvador colabora com o Gute Deutsche Gestiche, com textos escritos em alemão, indispensáveis na cultura germânica forte de nossa região. O jornalista Cleo Meurer, que desde o ano 2000 assumiu o Ponto de Vista, que dialoga com os leitores sobre diversos assuntos, de nível municipal, regional, estadual e nacional. Sua coluna se tornou imprescindível e indispensável, num tom crítico necessário para abrir os olhos da sociedade em diversos parâmetros. Mas como tudo precisa de uma Visão Positiva, José Fernando Petry vem para pontuar sobre assuntos mais leves, mas que cativam diversos leitores que procuram fôlego nos dias já tão difíceis. É uma palavra amiga, que há quatro anos está sendo publicado no Expressão Regional. A psicóloga Deise Steffens e a nutricionista Paula Specht dão dicas de qualidade de vida, com textos que navegam sob diversas áreas da saúde. O esporte, paixão nacional, tem a assinatura de José Laerce Morales Cezar, e diversas vezes é o maior motivo de adesão de assinantes ao nosso jornal. Temos também novidades, como o jovem Ariel Kafer, onde a sua maior paixão, que é o cinema, motivou a escrever a coluna CineDica.
A todos, citados ou não aqui, agradeço a confiança e queremos que continuem acreditando, porque queremos sempre melhorar, e todos vocês são a nossa inspiração.
Direito de resposta?
13 agosto, 2010
Há cerca de duas semanas, tive uma discussão com um político da cidade que tentou inibir a publicação de uma matéria que envolvia o nome dele. A luta pela liberdade de expressão é assim, existe tanto em jornais de cidades pequenas, como Salvador do Sul, quanto em revistas de grande circulação, como a Veja.
Uma matéria veiculada na edição desta semana da revista, “A resposta do direito”, que trata sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal em publicar um direito de resposta do Partido dos Trabalhadores, rebate o quanto a Lei da Imprensa, extinta pelo STF, está fazendo falta. A lei foi extinta por que acreditavam que ela feria com essa tal liberdade, democracia. Porém, agora foi deliberadamente readaptada de acordo com um propósito, dar voz a um partido atingido em pleno ano eleitoral.
Ora, então a verdade não pode ser dita porque atinge um candidato, ou um partido? Temos que estar de olhos fechados para os acontecimentos e nos falamos após as eleições?
O mesmo ocorreu no jornal em que eu trabalho. Foi veiculada uma matéria que revelava uma dívida deixada por esse político. Insatisfeito com a matéria, ele solicitou direito de resposta. Nós então concluímos que uma matéria escrita por ele, e publicada na íntegra, não era necessário, afinal, a matéria antes divulgada era jornalística, portanto, sem nenhuma obrigação de um direito de resposta. Ela, claro, foi desfavorável ao político em questão, mas era baseada em fatos, não em suposições.
Desta forma, publicamos sim o ponto de vista do político, em outra matéria escrita pela redação. A resposta que tivemos? E-mails enviados aos quatro cantos da cidade, onde o político afirmava que a cidade tinha um jornal político, que eu era uma repórter metida, e que só serviria mesmo para me candidatar… Banalizou totalmente a questão.
O que posso concluir disso… Começo a agir dentro da minha profissão, conhecendo a verdadeira política dos despreparados, dos coronéis que tem em mãos não eleitores, mas sim, alienados.
Estamos em ano eleitoral, e a cada dia, estou mais alerta para publicar sim, todas as irregularidades desses que se dizem políticos transparentes.


