Lobotomia

7 maio, 2012

Já assistiram The Cola Conquest? O título, na versão abrasileirada, Mundo Cola é um documentário sobre a bebida doce mais consumida no mundo, a Coca-Cola. Inicialmente criado para ser um xarope, de remédio a refrigerante, a Coca-Cola é um mito no que se refere a construção de uma marca, insuperável em todo o mundo.

No documentário é possível acompanhar a criação do logotipo, como nasceu a publicidade americana, a invenção do Papai Noel (gordo de vermelho, assim como conhecemos é uma criação da Coca-Cola), e uma verdadeira lavagem cerebral em que os funcionários da empresa passam para que a Coca jamais perca a sua divindade. Digo divindade porque tomar Coca-Cola se assemelha a seguir uma religião. Não somos obrigados a beber o refrigerante, mas ao escolher essa bebida nos tornamos parte de um grupo, ganhamos uma identidade construída a partir da marca: isso é consumismo.

A Pepsi, um refrigerante de cola semelhante à Coca, lutou por anos e anos para assumir a liderança. Em vão. Artistas como Michael Jackson, nos anos 80, não puderam superar sequer os ursos brancos da Coca-Cola. Então, duas décadas depois, a Pepsi enfim assume o segundo lugar com o slogan “Pode ser Pepsi?”.

Semelhante a essa lógica de consumo é a ideologia de um partido brasileiro. Serão doze anos ininterruptos no poder logo mais. Recentemente o partido realizou assembléias em todo o país com uma missão: candidatos a prefeito em todos os municípios brasileiros. Marketing de guerrilha é o que assumiu o partido. Estratégia e um contexto histórico que vem dando crescimento ano após ano, com ajuda dos filiados que se acumulam no país.

Dou outro lado, o partido que hoje é oposição também parece assumir o segundo lugar, assim como a Pepsi, nos últimos anos. Sem se entender, o partido tem egos evoluídos demais, e lutam entre si e não conseguem uma unidade. Resultado, popularidade dos atuais governantes subindo e subindo, e até quem era contra agora acha que o país vai bem.

Mas o que pode até funcionar entre os refrigerantes, é amargo na política. Lobotomia na política é prejudicial porque governar a qualquer custo não quer dizer um bom governo. O povo vai bem sim, mas na pirâmide social, quem costuma se sair muito bem é a parte superior. E ninguém nem nota… Seguem votando, quer dizer, tomando Coca-Cola como se não houvesse amanhã.

Liberdade de expressão

24 fevereiro, 2012

Existe um limite para a tolerância­? Ou melhor, até que ponto devemos nos importar com certos assuntos que normalmente não nos diríamos respeito diretamente… Existe uma linha tênue entre reivindicar, criticar e ofender. Tem também uma diferença gritante entre defender seus direitos quando ao mesmo tempo você reprime seus deveres. O que tenho visto são incontáveis contestações em nome de um ideal falido, ou melhor, de um propósito individual que acolhe cinco ou seis pessoas diretamente, enganando indiretamente uma população de milhares de pessoas.

O resultado estamos vendo. Descaso, indiferença, luta pela defesa de um nome que não tem a menor relevância histórica e útil para uma cidade inteira. Um calçamento aqui, outro acolá enobrecem uma gestão de superfaturamentos a céu aberto. O lobo em pele de cordeiro é uma metáfora que se aplica. Uma cidade infundada em dívidas, com um nome sujo na praça porque uma pessoa fez de sua gestão uma vingança pessoal. Resultado, estamos vendo hoje em detalhes do cotidiano, que passam a se tornar grandes problemas. Mas eles tem um ideal.

O ideal de confundir, da lavagem cerebral. De bater tanto em uma tecla que já nem existe mais. O progresso deles está em galgar os degraus de suas próprias ambições. Falam em bem comum, mas não tem garra para conquistar nada para quem precisa realmente. Pensam em que afinal? Em juntar votos o suficiente para emplacar seu carro em letras garrafais exibindo a sua própria soberba em cima de, mais uma vez, milhares de pessoas. Infelizmente não acredito em mentiras, tão pouco me deixo enganar. Se incomodo pela sinceridade, cometerei sincerocídio. Se me cobrarem o silencio, voltarei a gritar a plenos pulmões. Se tem algo que aprendi vivendo em Salvador do Sul é que podemos amar um lugar com força, a qual resolvemos defender como se a terra fosse a nossa família. E mais, a profissão que escolhi não me deixa intimidar pelas ameaças, porque trabalho com a verdade. Lidamos com fatos, não lendas ou folclore.

Falta dinheiro para a saúde, mas sobra para diárias. Em mais uma reportagem do jornalista investigativo Giovani Grizotti, foi descoberto que entre janeiro e setembro deste ano, a Assembléia gaúcha consumiu R$ 2.503.874,38 em diárias de viagens. E mais, os parlamentares tiram notas fiscais de R$5, R$10 e recebem uma diária de R$ 462,10. O deputado estadual Gilmar Sosella, PDT, fez uma viagem para cidades do norte do Estado e apresentou cinco notas fiscais que somam R$ 48,80 para receber diárias de R$ 2.097, 45. E tudo isso é legal. Basta apresentar as notas fiscais e estará tudo dentro da normalidade na prestação de contas com a Assembleia Legislativa. Como já disse outrora, nosso país não alavanca pois temos muito mais dinheiro para manter nossos governantes, do que temos para distribuir para a educação, saúde, segurança.

A corrupção está incorporada no DNA do brasileiro. Desde a colonização vem se infiltrando e agora passou a ser nem mais motivo de vergonha. Quem não faz, é burro. Honestidade é item raro. Me digam, porque é necessário tirar diária para visitar um município no mesmo estado? Ou melhor, vou ser menos radical… porque a diária não pode ser apenas o abatimento do valor que o parlamentar gastou do próprio bolso? Funcionaria assim: ele foi até a cidade vizinha e almoçou. Gastou R$ 15. Voltou para a Assembleia, entregou a nota fiscal e recebe o reembolso de R$15. É ou não é lógico? Mas nada passa nem perto do lógico no Brasil. Pior, passa muito, mas muito longe do recomendável, que dirá do certo.

Salvem-se as exceções, claro. Mas lamento que poucos ainda são admiráveis neste país. Brasília está tomada pela falta de vergonha.  O que vejo é a total impunidade que assola este país, onde a corrupção jamais é combatida, muito menos punida. Todos agem na nossa cara, sem o menor pudor. Aqui, quem faz justiça morre, e honestidade é artigo de antiquário.

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