Não se preocupe, seja feliz
31 janeiro, 2012
A minha filosofia de vida, Don´t Worry, Be Happy. Quem me conhece de verdade sabe que eu sempre fui assim. Desconheço alguém mais despreocupado do que eu. Sabe aquela que não entrou em total colapso quando estava fazendo o temido trabalho de conclusão, que conseguia ao mesmo tempo ter vida social? Ou aquela quando todo mundo está endoidecendo para chegar logo porque os ponteiros já estão marcando vinte minutos para atrasado para caramba e eu na maior calmaria… Ou ainda, quando tudo está dando muito errado, mas enxerga sempre, mas sempre mesmo, a luz no fim do túnel? Apresento-lhes, eu!
Alguns me chamam de paciente, outros de desconectada, ou pouco ambiciosa, mas eu não vejo assim. Acredito na conspiração a favor quando não nos preocupamos tanto com as coisas, quando deixamos rolar, citando outro poeta, agora de botequim. Falando em poeta, Bobby McFerrin escreveu uma música simples, canta até hoje sob a aclamação das plateias, apesar de ele ter cansado um pouco, conforme ele afirmou dias atrás em uma entrevista. Mas como fugir do hino dos despreocupados, porém felizes.
Para seguir a filosofia “Don´t Worry…” inicialmente você precisa ver felicidade nas pequenas coisas. Nossa, parece tão clichê, mas não tem nada mais repetitivo que a vida. Nascemos, crescemos, estudamos, trabalhamos e morremos. E nesses meados de dias de nossa vida, o que sobra de importante? Aqueles momentos nem tão programados, os instantes que ficam na memória, que são tão felizes vivendo e mais ainda recordando. “Do your best. Then, don’t worry: be happy in My love. I will help you”. (Façam o seu melhor. Então, não se preocupem: sejam felizes em meu Amor. Eu irei ajuda-los)”, disse um líder espiritual, que inspirou McFerrin (apesar dele não querer mais cantá-la).
Leitos x gestão pública
26 janeiro, 2012
Dias atrás estive no posto de saúde para um exame. Enquanto esperava, conversava com alguns pacientes que aguardavam atendimento, assim como eu. Em pleno janeiro, o número de pessoas era pequeno, ao contrário de outros dias, quando filas extensas se formam fora do Posto de Saúde, não importa se está fazendo 0°C, ou se está chovendo. Bom, nessa conversa, falávamos sobre a mercê que os brasileiros estão a espera de um atendimento nos hospitais. Não falo de um bom atendimento, e sim de conseguir ser atendido. Casos mais graves não são aceitos no Hospital de nossa cidade, e isso porque não existem equipamentos modernos ou profissionais em áreas específicas da medicina. O ideal seria então transferir para hospitais da região metropolitana, ou ainda em Caxias do Sul. A resposta no entanto é sempre essa: não tem leito.
Já vi e vivi isso no Hospital de Salvador, e se confirmou nessa conversa no Posto de Saúde. Muita gente já viu e viveu esse momento. Aí retruquei de cara: é um descaso não termos leitos para todos, e os corredores dos hospitais se amarrotarem em filas, e pior, os interioranos não tem a mínima chance de salvamento, sendo que não existe nem a possibilidade de transferência, dado os hospitais maiores nem aceitarem a entrada de mais pacientes. ‘Um absurdo’, argumentei na hora. Foi então que na hora uma pessoa retrucou minha veemente declaração. O problema não é o número de leitos, e sim a falta de gestão. Um baque de realidade. Fiquei pensativa, mas não tornei a falar com ninguém sobre esse assunto.
No entanto, hoje de manhã li esse interessante artigo do médico pediatra José Carlos Diniz Barradas, no espaço do leitor da Zero Hora, que fala justamente disto. Em uma passagem do artigo ele explica que os Hospitais brasileiros estão com o padrão de países desenvolvidos, que possuem em média 3 leitos para cada mil pessoas, o que é aceito inclusive pelo Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde. Então, onde está o erro afinal? Erro de gestão. Segundo o médico, o atendimento ambulatorial está precário, profissionais com pouco comprometimento uma vez que ganham mal, e estão sem os equipamentos necessários, também não são cobrados da forma correta pelos responsáveis. E ainda, o médico afirma que esse atendimento ambulatorial resolve 90% da demanda de saúde, restando para os hospitais apenas 10%.
Aí, o pediatra reclama dos políticos que preferem garantir muitas ambulâncias porque rendem mais votos ao invés de apoiar os seus Hospitais regionais. Nossa, vi sob outra perspectiva e fui obrigada a concordar. Um bom atendimento inicial evitaria a invasão das pessoas em hospitais, que estão ali para resolver problemas de saúde mais graves. Nós, interioranos, teríamos mais chance de sobreviver ao invés de rezar para que fossemos aceitos em hospitais com mais condições de atendimento. E mais, garanto que muitas vezes, quando me senti mal, esperei chegar a noite para ir direto ao plantão receber um atendimento mais rápido, ao invés de enfrentar longas filas ou ouvir que as fichas do posto já acabaram. Claro, alguns vão dizer que eu deveria usar plano de saúde, ir direto para um atendimento particular. Mas existe muita gente que depende disso, é totalmente descabível a falta projetos que atendam e melhorem nosso sistema de saúde, começando em nossas pequenas cidades. Vivemos um amadorismo na gestão pública, do Oiapoque ao Chuí.
O fim de uma época romântica
24 janeiro, 2012
O anúncio de que a Kodak, empresa líder no segmento fotografia, pediu concordata na semana passada, é lamentável. A empresa centenária foi vítima da tecnologia e teve seu fim porque não conseguiu superar a sua própria invenção, porque todos sempre vão enxergar a Kodak como a fotografia analógica.
Ah, bem que eu lembro dos dias em que tinha que esconder a câmera fotográfica da minha mãe. Isso porque ela tinha recém colocado um filme de 36 poses, e eu havia acabado com todos os cliques em uma tarde de sol, usando a minha irmã e vizinhas minhas como modelos. Filme da Kodak, certamente. Aliás, tenho centenas de filmes a serem revelados. Quem sabe o que há de inusitado nessas imagens de uma época bem mais romântica.
Romântica sim, porque começávamos pela escolha do filme: 12, 24 ou 36 poses, dependendo o evento. Férias na praia sempre mereciam um filme polpudo, de 36. As festinhas de aniversário ganhavam 12. Dependia também do quanto queríamos gastar. E a revelação, palavra aliás que nem faz mais sentido dizer atualmente, era tão bacana quanto o eventoem si. Aguardávamosansiosamente por uma semana, talvez mais, para que as fotos estivessem prontas. Sentar no sofá, reunir amigos, família, para olhar incontáveis álbuns. Quem faz isso ainda hoje? Tudo, desde a câmera, a revelação, o filme, em tudo estava presente a marca Kodak.
Novos tempos, as máquinas digitais, as incontáveis fotos, a chance de tirar inúmeras até que ela saia perfeitamente, edição de imagens, a não necessidade de impressão das fotos, são os ganhos da fotografia moderna. Mas bem que dá uma certa saudade daquele tempo onde o ineditismo era mais, por assim dizer, inédito. Hoje, tudo está tão mais banal.
É hora de prevenir!
18 janeiro, 2012
Lamentavelmente Salvador do Sul vive uma sina. Nos últimos anos, a população fica ansiosa com a chegada do fim de ano ou os dias iniciais com medo de tragédias. E a quase profecia tem se cumprido fidedignamente. São incêndios, mortes e acidentes que a população custa a esquecer. Superstições a parte, o que me incomoda e me assusta ao mesmo tempo é a falta de cuidado para que esses eventos tristes ocorram insistentemente.
Mais uma vez Salvador do Sul viu seu patrimônio esvair-se em chamas na semana passada. Dessa vez foi a lavanderia do Hospital São Salvador que está destruída. Em poucas horas o fogo engoliu, apesar dos trabalhos dos Corpos de Bombeiros de toda região, incluindo o trabalho dos bombeiros voluntários de Salvador do Sul.
Com a crescente influência das redes sociais no município, logo após o incêndio nas imediações do Hospital, uma enxurrada de comentários surgiram nas páginas de internet, como facebook e twitter. Muitos reclamando sobre a falta de apoio para a Associação dos Bombeiros Voluntários de Salvador do Sul e São Pedro da Serra, e da mesma forma, lançando campanhas para que pudessem enfim adquirir o caminhão para a corporação. Ao mesmo tempo, levantaram o assunto de que muitas pessoas estavam utilizando a tragédia em prol de campanhas políticas adiantadas, já que estamos em ano eleitoral municipal.
Confesso: li indignada algumas opiniões. Falam que reclamar e levantar discussões é politiqueiro. Mas sabe o que acho mais politiqueiro é se conformar com a atual conjuntura. Quero declarar aqui minha total admiração pela Associação de Bombeiros Voluntários do nosso município e São Pedro da Serra. Acompanhei a sua criação depois da tragédia do ano de 2011 que destruiu o comércio de uma rua inteira. No nome do presidente, Ademir Lincke, quero enobrecer os trabalhos dessa Associação que nasceu devido a necessidade de uma região inteira que vive sob a mercê das tragédias. Precisamos da ajuda de municípios vizinhos hoje, que são muito maiores que nós, e priorizam os seus munícipes. Mas, estamos tendo a sorte, vejam só, sorte que eles estejam nos atendendo toda vez que solicitados, porque caso em suas cidades esteja acontecendo algo, não vão nos atender por lógica.
Fui a algumas reuniões com o comandante Portinho, de Bom Princípio, que disse há quase um ano, que caso o nosso Hospital sofresse com um sinistro, a situação seria dramática, pela falta de preparo e estrutura para retirar pacientes e equipe hospitalar. E após o incêndio na lavandeira, percebemos que o mesmo ocorre no Instituto Barbara Maix, asilo do município. Mais uma vez, por sorte, não tivemos vítimas, mas apenas perdas materiais.
Alguns comentam sobre o caminhão de bombeiros, vendido e que faz falta. Outros falam que era sucata, que não adianta falar sobre isso. Eu reitero sobre o seguinte: não é só o governo atual que é irresponsável, são quase 50 anos de emancipação política de Salvador do Sul, e nessas cinco décadas só uma vez o assunto foi interesse da gestão pública, quando o caminhão foi comprado. Depois disso, estagnação novamente. Não interessa agora o caminhão vendido, interessa que depois disso, nem investimento em uma mangueira foi feito, ou na capacitação de profissionais para auxiliar.
As campanhas lançadas nas redes sociais são válidas e interessantes, mas a Associação já vem trabalhando desde a sua criação, promovendo jantares, buffets de cachorro-quente, e recebendo apoio de associados. Claro, falta apoio ainda do poder público que pouco fez pela Associação. Alguns políticos parecem ter medo de fazer algo para enobrecer outros, e assim, empacam uma primeira necessidade do município. E ainda, em ano eleitoral, as coisas ficam bem mais complicadas e parece que teremos mais um ano de poucos investimentos nessa associação.
Todos sabem que bombeiros são os heróis da modernidade. Eles enfrentam tudo, fogo, água, catástrofes, em nome de pessoas, e não de ideais particulares. Vamos ajudar, cada um, sem procurar governos ou políticos. Um por um, na metáfora da formiguinha, vale muito mais que mil e uma discussões no facebook. Procurem a associação, vejam aonde que eles precisam de sua ajuda. Será bem mais válido e evitaremos novas tragédias. Prevenir, minha gente… Prevenir!
Por uma semana, manézinhas da Ilha
13 janeiro, 2012
O blecaute no blog na última semana tem um motivo, férias mais que merecidas e estrategicamente planejadas para o início do ano. Estivemos em Canasvieiras, em Floripa na primeira semana de 2012. Uma semana de sol, turismo, risadas e descanso. Ah, e um dia especial para dançar o Kuduro em alto mar, a bordo do Corsário Negro. Bom, das férias só conto isso mesmo, mas deixo uma palhinha da minha super falta de coordenação dançando no balanço das ondas da ilha.

