A bandeira do PT não tremula mais com os ventos da ética e da verdade, como era defendido por seus partidários. O petismo acabou, vivemos na era do Lulismo. Como é possível sobreviver num país em que a corrupção é pano de fundo de uma campanha política que sequer começou. É claro que nas negociações partidárias, as eleições começam assim que um governante é eleito, isso acontece até nas cidades pouco populosas. O caso é que, ficou mais que evidente que o conflito PT e Lula apareceu com mais força depois que o presidente defendeu o seu antigo desafeto, José Sarney. Nos últimos anos vemos boquiabertos os novos casais que o cenário político anda apresentando. Lula abraçando Collor, de papo com Renan Calheiros, defendendo com unhas e dentes o presidente do Senado…
A impunidade não tem nem dimensão em relação à crise do Senado. Como um senador pode usar de sua influência política para empregar familiares em atos secretos? A frase soa como absurdo, e é tão real e pior, ele nem foi punido. Tudo em nome da candidatura da chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, para a presidência. A aliança com o PMDB é necessária para o êxito da campanha. Realmente o PMDB é um partido grande e importante, mas também é um tremendo pepino. Em todo país ele é dividido, não tem uma unidade. E nessa o PSDB tem uma vantagem, já que o DEM é um partido sólido e de apoio total aos tucanos. E o PMDB é o partido dos cargos, e nessa o PT se embanana. Tudo é feito com a combinação de que haverá cargos suficientes para os coronéis do PMDB. Ou seja, hoje o PT vive dias de PMDB, com a vontade de eleger Dilma em 2010, mas sofrendo com a separação do Lula do partido. Sempre associamos Lula ao PT, mas hoje parece que isso já virou história.
Lulismo
Dominadas pelas tradições
Conviver em meio à atual sociedade islâmica é realmente poder ter a chance de viver experiências inesquecíveis. E poder contar com uma visão ocidental desse mundo que não faz parte do nosso dia-a-dia, a não ser pelas notícias que acompanhamos nas mídias, acaba sendo uma experiência notável para quem lê “O Livreiro de Cabul”. A sensação realmente é de estar dentro das casas, caminhando nas ruas e vivenciando os momentos bons e ruins do povo do Afeganistão. A jornalista norueguesa Asne Seierstad conviveu cerca de três meses com a família de Sultan Khan, o livreiro do título. O livro pode ser considerado reportagem, pois conta relatos verdadeiros da vida afegã depois da queda do Talibã. Revela a infância, os casamentos, a vida dos homens e mulheres e as memórias da guerra. E também pode ser lido como um romance, considerando também o sucesso de outros livros que tem o Afeganistão como pano de fundo.
Sultan Khan, nome fictício para o personagem título, seu nome verdadeiro é Shah Mohammad Rais, foi conhecido por Seierstad após ela cobrir a guerra dos talibãs. Ela o tomou como um homem aparentemente liberal, que resistia aos comunistas e ao Talibã para manter sua livraria aberta. Para manter o acervo de sua loja, Sultan realiza viagens perigosas ao Paquistão para comprar novos livros. Desde adolescente ele é um homem das letras, pois em uma viagem ao Teerã comprou livros escolares e vendeu pelo dobro do preço aos colegas em Cabul, cidade onde sempre viveu. Khan, ao mesmo tempo em que é o homem das letras, é um comerciante, pois visa sempre o lucro. “Poucas coisas aquecem mais o coração de Sultan do que encontrar um livro valioso num mercado poeirento e poder levá-lo por uma ninharia. Sultan alega ter a maior coleção de livros sobre o Afeganistão do mundo, uma coleção de oito a nove mil volumes.” O livreiro garante seus livros comprando de ladrões, comprando livros roubados da biblioteca nacional por uma bagatela e textos que existiam há séculos. Não é por nada que os livros são a vida de Sultan. Em uma passagem do livro Sultan declara: “Podem queimar meus livros, arruinar a minha vida, podem até me matar, mas nunca poderão destruir a história do Afeganistão.” Com essa frase de efeito pode-se considerar Sultan um redentor e liberal dentro dessa cultura tradicional que é a sociedade islâmica. Mas vemos, ao folhear as páginas desta obra que o livreiro é somente mais um tirano na orientação familiar.
Khan que tem duas esposas, cinco filhos e uma numerosa família, (mãe e irmãos) divide o mesmo apartamento de poucos cômodos em Cabul. A primeira esposa vivia sozinha no Paquistão e depois decidiu morar com o restante da família de Kahn. O livreiro a exilou no Paquistão para que pudesse casar com uma menina de 16 anos, pobre, porém muito bonita, com quem teve uma filha. Sultan é o mais velho da família, por isso é correspondido sem questionamentos. O primogênito deve ser obedecido sempre. As mulheres da casa são as que mais sofrem, com serviços pesados e casamentos arranjados com homens geralmente bem mais velhos que elas. Elas ainda são obrigadas a usarem burcas, vestimenta que cobre todo o corpo, deixando apenas os olhos à mostra, e mesmo assim existe uma rede bordada para que não haja contato visual direto das mulheres com outras pessoas. “Mulheres de burca são como cavalos com antolhos, só podem ver numa direção. Nas laterais, a rede do véu se fecha, impedindo olhares de soslaio. É preciso virar a cabeça inteira”, define a autora. Seierstad revela ainda que o homem que inventou a burca pensou inclusive nisso, que com essa rede bordada um homem sempre saberia para onde a mulher está olhando. Poucas mulheres abandonaram a burca com a queda do regime Talibã. Uma das heroínas das mulheres do tempo Talibã era a ministra da saúde de Karzai, Souhaila Sedique, única generala afegã. Ela se negava a usar a burca e ameaçava a polícia religiosa que se tentassem bater nela, ela reagiria da mesma forma.
Os casamentos, eventos marcantes na vida afegã, principalmente na vida das mulheres, são preparados com cuidado e dedicação. A escolha do vestido, dos utensílios que deverá levar para a nova casa, as roupas de cama, são compradas pela noiva e pelas demais mulheres da casa. “É esta colcha que a burca quer pôr na sua futura cama de casal. Uma cama que ainda nem experimentou ou viu, e que ela, Deus nos permita, tampouco deve ver antes da noite de núpcias”, relata a autora, revelando um dos códigos impostos pela polícia religiosa do islamismo. O enclausurado mundo feminino é demonstrado em todas as suas nuances. Desde a visão monitorada pela burca, ao casamento arranjado, a angústia das jovens que trabalham sem descanso dentro de casa, sendo as primeiras a se levantar e as últimas a se deitar, às anciãs que apenas vivem, sem maiores pretensões ou algum horizonte, demonstram que a vida das mulheres é estar fadada ao abandono sem perspectivas de uma vida feliz. Assim como em uma das páginas do livro é explicado que o vocábulo para noiva e boneca é o mesmo, arus, exemplificando na noiva, que no dia do casamento não pode olhar nos olhos de ninguém e nem expressar qualquer emoção, reflete literalmente a unidade da palavra. Ela fica parada, sem vida, assim como uma boneca, e assim será no resto de sua vida, permanecendo artificial e à mercê da vontade dos homens.
Os jovens também são vítimas da sociedade afegã. O exemplo mais marcante acaba sendo o filho mais velho de Sultan, o jovem Mansur. É ele que cuida da livraria para o seu pai, e é obrigado a permanecer por 12 horas diárias no estabelecimento. O seu desejo de estudar é rompido pelo pai, que não permite que ele entre em uma escola. É também através do jovem Mansur que a autora se refere aos resquícios da guerra no Afeganistão. “Nos lugares mais improváveis há tanques de guerra queimados. Estão no fundo do vale, no meio do rio, balançando num precipício, deitados, virados ou aos pedaços”, descreve Seierstad. Através dessa passagem que percebemos a convivência dos afegãos com as balas nas paredes, os tanques abandonados, o risco de pisar em minas e perder parte do corpo, e o risco de envenenamento nos túneis. Outros dados como o país ser um dos com o maior índice de mortalidade infantil no mundo, sendo que a maioria das crianças não chega aos cinco anos, revelam a precariedade da população.
“O Livreiro de Cabul” pode nos remeter inicialmente a um mundo de sonhos, onde livros podem levar a redenção de um povo que vive sob a intolerância, à memória da guerra, à falta de perspectivas. Mas o que percebemos, ao lê-lo, é que o “livreiro” Sultan Khan, protagonista do romance/reportagem é mais o antagonista. Reparamos que ele é também um homem que segue à risca os códigos e leis pré-históricas da polícia religiosa, instalados durante o regime Talibã. Ao final do livro reparamos o quanto o mundo é machista e que as mulheres ainda vivem condicionadas a viver vidas vazias. A obra é mesmo um referencial sobre a cultura afegã, principalmente no que se refere ao universo feminino.

Para sempre, Michael!
Uma certeza eu tenho, nunca vou esquecer do momento que recebi a notícia da morte de Michael Jackson. Estava sentada, comemorando o aniversário da minha amiga Carina, em volta de muito barulho das conversas (mulher reunida é assim mesmo), olho para a televisão e eis que enxergo um gc passando: morre Michael Jackson. Fiquei atordoada, só pra começar. Falei para minhas amigas: minha irmã vai ficar muito chateada. E não deu outra. Ela me manda uma mensagem da faculdade dizendo que estava sem chão.
O ídolo pop do mundo inteiro era também o meu ídolo e da minha irmã. Sempre adormamos o Michael. E pra falar a verdade, alguns riam da gente, dizendo não acreditar. Mas tenho certeza, se eu pudesse fazer um pedido para definir em que época eu gostaria de ter nascido, teria sido os anos 80. Michael era sensacional. Um gênio do entretenimento. Cantava muito, dançava mais ainda! Um talento! Cantava desde os 6 anos, e colocava seus irmãos dos Jackson 5 pra coadjuvante.
Minha primeira experiência ouvindo Michael, que eu me lembre, foi quando eu tinha uns 8 ou 9 anos. Pode ser menos, não lembro bem! Mas minha mãe tinha um CD com a música Ben. Eu adorava aquela música, e depois de um tempo que descobri que era do Michael. E a versão era dele cantando quando ainda era criança. Uma voz fininha e uma música que me emocionava. Eu ouvia muito também Music and me, e amava. Músicas melancólicas que nunca vou esquecer.
Quando fui conhecer Thriller, o sucesso já não era o mesmo de quando a música e o clipe haviam sido lançados. Até porque eu nem tinha nascido. Thriller foi um sucesso em 1982, e na época Michael tinha seus 24 anos. No entanto, nos anos 90 eu curtia os clipes que passavam na TV. Thriller era minha paixão. Minha mãe dizia que ela dançava muito essa música quando ela era solteira. E eu acredito, a música é extremamente empolgante e o clipe, um marco para a época. Fora isso, Thriller é até hoje o álbum mais vendido da história. Só isso dispensa quaisquer outras explicações.
Depois de Thriller, me apaixonei por Billie Jean, Smooth Criminal, Beat It, We are the world, Bad, The girl is mine, Black or White, You are not alone, Say Say Say, They Don´t Care About us… Infinitas músicas, todas imperdíveis de se ouvir e ver.
O astro pop foi inovador. Poder ouvir suas músicas e assistir clipes de qualidade, com tecnologia jamais vista, era um deleite para mim. Todas as referências que mundo pop tem hoje são de Michael Jackson. E quem esquece do passo.. caminhando na lua, o moonwalk. Inegavelmente, coisa de gênio.
“Essa mistura de carisma estratosférico, talento astronômico, um charme indiscutível, e capacidade de criar confusão simplesmente ao passar por algum lugar, fez da trajetória do astro um espetáculo imperdível – e eu só posso celebrar a sorte de ter vivido nesses tempos em que eu pude acompanhar de perto isso tudo“, resume Zeca Camargo no seu Blog.
E agora, a única sensação que tenho é de pesar e atordoamento. Sinceramente, ainda não engoli que ele não está mais entre nós. Nem sei se um dia eu veria ele de perto. Só sei que jamais alguém poderá preencher a vaga de Rei do Pop assim como ele.

Um grande passo… para trás!
No mínimo revoltada… Sensação ruim, graças à uma notícia ruim…
Vivemos mesmo no país do retrocesso, da piada pronta. Tiraram das mãos dos jornalistas uma conquista. E a desculpa: que um diploma feria a liberdade de expressão!
Um jornalista não precisa de diploma assim como um chef também não necessita! Essa é a comparação! Um texto jamais poderá desestruturar o conjunto… esses são os argumentos!
Juízes, advogados.. os reis da cocada preta! Eles sim, precisam de um diploma. E o argumento: como vão mentir para livrar um ladrão da cadeia? Tem que ter formação acadêmica!
Perdemos o diploma, porém ganhamos direito à informação ruim. E quem perde com isso? A sociedade!
Cantar, cantar, cantar é poder acreditar!
“Cantar não pode ter regulamento, só canta de encomenda quem quiser…” Na composição de Pedro Barroso, podemos ver onde está a essência da música, que é poder cantá-la. Porque cantar é a expressão de um sentimento, é o momento de liberdade, de ser quem você realmente é. Lembro então agora de algumas histórias que ouço de minha mãe. Ela conta que a minha avó adorava cantar. Estendendo roupas no varal, fazendo o almoço, varrendo a casa… lá estava ela, cantarolando suas músicas prediletas da época. E sempre que minha mãe termina de contar essa história ela diz: “Sei que naquele momento ela se sentia mais feliz”. Assistindo aos sucessos do You tube do momento, os vídeos de Susan Boyle e Stand Be Me, cai em meu pensamento exatamente a história que acabei de contar, e por quê? Porque percebemos que cantar é acreditar que há algo melhor para todos. São nossas emoções expostas em uma melodia, uma letra, um momento. E para cantar não precisamos de um palco, ser a atração principal ou de lucros. Cantar é poder sentir, é ser, é ver! Aí então percebemos que artistas de rua, que se dispõe a cantar na calçada, realmente o fazem por paixão e pela busca de um tempo dedicado à alma. Cantores de chuveiro, de karaokê, de ninar, caminhando e cantando. Um viva a todos eles! Porque a canção une e faz toda a diferença, e até existem estudos científicos que comprovam isso. E, para usar mais um clichê, percebemos como a sabedoria popular é verdadeira, pois realmente “quem canta, seus males espanta”. E se você canta mal, assim como eu, levanta bem o volume do som, e solte sua voz!
Individualismo a dois
Namorar é complicado. Culpa da globalização, do capitalismo, do mundo girar sempre para o mesmo lado, e as horas não pararem nunca! É o tempo, a correria cotidiana, a busca por um ideal. É o individualismo que é tratado como conquista nesses dias atribulados de uma vida atribulada. Acredito que é isso que me atrapalha. Tentar buscar a independência e a liberdade da mulher moderna, que não me permite precisar de alguém.
Socorro, não posso ficar só! Namorar é complicado, mas quem não gosta. Alguém que está ali, te entendendo e te apoiando. Sendo seu parceiro, e sorrindo ao te ver chegar depois de um dia longo. Mas as revistas, a televisão, os jornais, as vitrines, elas insistem em dizer que não posso parar, tenho que correr atrás do meu sonho, tenho que ser a mulher independente que minha mãe sempre sonhou.
A minha mãe, mulher dos padrões da época dela. Casou aos 22, com a idade que estou agora. Não cursou uma faculdade, mas batalhou pelos seus desejos mesmo depois de casada. Seguiu à risca o que minha avó dizia que ela deveria fazer ou ser. E hoje, minha mãe é uma mulher como muitas: cheia de conquistas pela frente, sem marido e sem minha avó nos seus ouvidos dizendo o que ela deve ou não fazer. E depois disso, eu tento ser diferente da minha mãe, sem ao menos saber se é isso mesmo que eu quero. Talvez eu quisesse, às vezes, ser mais dependente, esperar que alguém fizesse por mim o que todos os dias estou incessantemente correndo atrás.
Mas não, estou errada! Tenho hoje a oportunidade de conquistar aquilo que muitas mulheres tentaram antes de mim, e não podiam. Contudo, mesmo lendo histórias de mulheres que desejavam ser o que sou hoje, penso que não sou uma mulher à frente do meu tempo, como elas eram, mas sou uma mulher que anda, ou melhor, corre com a era que estamos passando. Sou tão contemporânea, que de vez em quando fico enervada. Quando vejo, falei coisas que são tão individualistas, que para mim é o perfil da mulher contemporânea, que paro, penso, e entro em conflito com minha mente. Penso, penso, e penso mais… Onde foi que errei? Desde quando sou assim? Aí não acho as respostas e sigo, correndo, meu cotidiano.
Coitado do meu namorado, que convive com esse meu jeito, desajeitado com a duplicidade. Tento ser um casal, e quando vejo, lá estou eu pensando no que seria melhor para mim. Ta pensando em egoísmo? Esqueça, não é esse meu perfil. Sou descontraída, dou risadas extensas e gosto de dividir minhas emoções. Só sei que o mundo de hoje me transformou num monstrinho em busca de um lugar só meu.
No entanto, nesse Dia dos Namorados quero inovar, pegando o exemplo da minha mãe, quando ainda era solteira, vou tentar não programar, não correr e pensar apenas no momento. Não sou a mulher ideal, longe disso, mas vou fazer desse dia o ideal para ser feliz, à dois!

Adoção, um ato de amor
A constituição de uma família é sonho de quase todas as pessoas. E para isso, ter um filho é um dos passos mais importantes para a realização deste sonho. Para aqueles que não podem ter filhos biológicos ou mesmo podendo ter, a adoção é um caminho. Segundo a Lei n.º 8.069/90, que diz que a criança ou adolescente tem o direito fundamental de ser criado no seio de uma família, seja esta natural ou substituta, também confirma que os passos legais para a adoção são rigorosos no país. Atualmente, no Brasil, são oitenta mil crianças à espera de um lar. Cerca de 63% são afro-descendentes e 61% são crianças com mais de 7 anos. Segundo a juíza da Infância e da Juventude, da Comarca de Montenegro, Dra. Deise Fabiana Lange Vicente, a maior dificuldade está em encontrar famílias que queiram adotar crianças com essa faixa etária, por isso a fila se torna interminável.
É claro que existem muitos outros agravantes para que essas crianças tenham que esperar tanto para que encontrem uma família. A coordenadora da microrregião da AMVARC, que corresponde aos dezenove municípios da região do Vale do Caí, no Rio Grande do Sul, Thalia Groth, afirma que antes mesmo que a criança seja encaminhada para a adoção, várias medidas protetivas são tomadas. “Atuamos mediante denúncia, e então a criança ou adolescente é encaminhada para um abrigo. Realizamos um acompanhamento psicológico com a criança e a sua família, juntamente com a assistência social da cidade”, explica. Na cidade de Salvador do Sul, que tem cerca de 10 mil habitantes, os problemas também aparecem. Hoje, uma criança já está com uma nova família, e está em fase de adaptação, a chamada guarda provisória, um passo muito importante, porque caso não dê certo, a criança pode se sentir ainda mais rejeitada. Porém, antes da criança vir a ser adotada por outra família, várias medidas são tomadas pelo Conselho Tutelar, o Abrigo aonde ela vive, psicólogos e Assistência Social.
O Abrigo Menino Jesus de Praga, que fica em Montenegro/RS, existe desde 1991, e atualmente moram 26 pessoas, entre crianças e adolescentes, sendo que o mais novo tem sete meses e o mais velho 16 anos. O Abrigo, que antes era a FEBEM, não é mais uma casa de recuperação, como afirma um dos coordenadores do lar, Luiz Carlos da Silva, hoje o abrigo representa a família. “O preconceito da sociedade é muito grande com as crianças que vivem em abrigos, acham que elas que tem que se recuperar. Na verdade, quem passa por recuperação são os pais que fizeram com que seus filhos passassem por uma situação de risco”, avisa Silva. O Abrigo Menino Jesus de Praga representa mesmo uma família. Assim como a rotina de uma criança seria dentro de casa, é também assim no abrigo. De manhã todos tomam café juntos, alguns vão para escola, e os que ficam, realizam atividades como capoeira, balé, taekwondo, línguas, informática. O mesmo acontece à tarde, depois de almoçarem, os demais que ainda não foram para a escola, se encaminham para a aula e os outros participam dos projetos que os mesmos já fizeram na parte da manhã. “Ensinamos também as verdades da vida, a criançada nos ajuda em algumas tarefas, como se estivessem em casa, e também xingamos quando necessário. Aos adolescentes, até ajudamos a arrumar emprego. Queremos que eles tenham uma educação familiar”, lembra o coordenador. Catorze funcionários trabalham no abrigo, são duas cozinheiras, dois serviços gerais, dois coordenadores, dois atendentes, e recentemente começaram a trabalhar uma psicóloga, pedagoga e assistente social. Luiz Carlos, juntamente com Ana Valdinéia Ranzi Stein, que também é coordenadora do abrigo, estão muito felizes com a colaboração das profissionais. “Antigamente fazíamos praticamente tudo sozinhos, mas agora com a colaboração da Arsíli (pedagoga), da Eliane (assistente social) e a Vanessa (psicóloga), estamos trabalhando com muito mais vigor”, salienta Ana.
Porém, o abrigo representa apenas uma passagem. Enquanto a criança e/ou adolescente fica na casa, todo um processo de recuperação da família é travado. Para isso, o Conselho Tutelar, a Assistência Social, psicólogos e promotores de justiça fazem um acompanhamento dos pais e dos filhos para então decidir o futuro dos menores. As chances de retorno à casa de origem são existentes, e por isso os abrigos permitem a visita dos pais. “A documentação para conseguir adotar um filho é fácil de conseguir, o processo mais lento é ver se a família de origem do menor não tem mesmo condições de criar seus filhos”, explica o coordenador Silva.
E realmente este que é o maior empecilho. O casal Vênio Venceslau e Sandra Elisabeta Krolikowski, adotaram Maria Laura, hoje com 10 anos, e Olga Helena, com 7 anos. As duas são irmãs, filhas da mesma mãe. Sandra explica que a mãe biológica das meninas era prostituta, e já tinha perdido doze filhos que haviam sido encaminhados para a adoção. O último filho, ela perdeu após um homem encontrar a criança, ainda bebê, dentro de uma caixa, num potreiro, que ela havia deixado para ir trabalhar num bordel. “O homem escutou o choro da criança, e depois descobriram que era filho daquela mulher”, lembra Sandra. Mesmo depois de ter conseguido a adoção legal das meninas, Sandra conta que a mãe biológica rondava a casa dela para ver se enxergava as filhas. “Ela foi nosso maior problema, pois até a justiça retirar o direito dela como mãe, demorou cerca de três meses”. O casal Krolikowski tinha o sonho de adotar um filho. Na época, os dois moravam em Quaraí, e se inscreveram para uma entrevista em Uruguaiana, ambas cidades do Rio Grande do Sul. Porém, depois alguns meses, quando Vênio foi fazer uma entrega no Fórum de Quarai, a promotora pediu o porquê deles não terem se inscrito na cidade para adotar, pois ela sabia de duas meninas que poderiam ser adotados por eles. O casal encaminhou todos os papéis para a adoção, sem ao menos conhecer as duas. “Só vimos elas quando fomos buscar para ir para nossa casa. Foi uma opção nossa”, conta Sandra. O acompanhamento da justiça é rigoroso. Durante dois anos, médico, psicólogo e assistente social eram presenças contínuas na casa dos Krolikowski. “Até as meninas ficaram um pouco enjoadas, mas faz parte do processo de adoção”, afirma Vênio Venceslau. Maria Laura e Olga Helena sabem que não são filhas biológicas, e lidam muito bem com isso. “Elas tocam mais no assunto do que nós. Desde que elas entraram em casa, contamos a verdade”, fala Sandra. Maria Laura foi adotada quando tinha 3 anos, e Olga Helena tinha 1 ano e 7 meses. “Sempre foi um sonho adotar uma criança, e vemos isso não como uma ajuda, mas como uma oportunidade de vida”, completa a mãe de criação.
Apesar dos números altos de crianças à espera de um lar, a justiça lançou este ano uma ajuda para os casais, homens e mulheres que desejam adotar. É o Cadastro Nacional de Adoção, que está disponível na internet desde abril deste ano e apenas os juízes tem acesso aos nomes. É mais um passo para que o sonho de ser mãe/pai possa ser realizado, e da maneira que é ainda mais bonita, um verdadeiro ato de amor!
- A adoção, passo a passo
- Os coordenadores do Abrigo, Luiz Carlos da Silva e Ana Valdinéia Stein
- As crianças tem total liberdade no abrigo, mas com regras como numa família
- O Abrigo conta com um espaço amplo, e bastante arejado
- Fachada do Abrigo Menino Jesus de Praga
- . O casal Vênio Venceslau e Sandra Elisabeta Krolikowski, adotaram Maria Laura e Olga Helena – Arquivo de família/Divulgação
- As meninas desde que chegaram na casa dos pais, ficaram sabendo que foram adotadas – Arquivo de família/Divulgação
Acompanhe esta reportagem também pelo mapa.
Passo a passo da Adoção no Google Maps
Adoção
A adoção no Brasil já traduz um período de muita persistência. No país, devido a burocracia, o processo para adotar uma criança ou adolescente, é longo e estressante. Porém, com apoio da legislação e com ao advento do Juizado da Infância e da juventude, medidas estão sendo tomadas para facilitar o processo e tornar esse momento único na constituição de uma família. A Lei nº 10.447 de 9 de maio de 2002 instituiu o Dia Nacional da Adoção a ser comemorado, anualmente, no dia 25 de Maio.
Seguindo essas condições, faremos uma reportagem alusivo à adoção em algumas cidados do interior do Estado do Rio Grande do Sul. Vamos conferir os caminhos até chegar na adoção. Os sonhos das famílias envolvidas. Conhecer os abrigos e projetos/campanhas em torno de crianças e adolescentes que querem ser adotados. Entrevistar portanto, famílias, funcionários de abrigos e lar de crianças, psicólogos, enfim.
Vamos revelar as novidades que estão sendo lançadas este ano sobre essa questão.
Será traçado um mapa histórico da adoção no país, e também os caminhos que as famílias necessitam percorrer até realizar o sonho de constituir uma família.
pauta f*
alguém aí tem uma idéia? daniel???????
Ass: grupo dos desiludidos! haha
Trajeto de estudante
O caminho enfrentado pela maioria dos estudantes da Unisinos é longo. São percorridos muitos quilômetros até chegar na universidade. Tem alunos que permanecem mais tempo dentro de um ônibus, micro ou van, do que dentro das salas de aula.
Pensando nisso e tendo essa mesma experiência, o Henrique, a Kenia e eu (Cathierine), resolvemos transferir nossas percepções sobre esse momento.
Através de entrevistas com estudantes e motoristas, vamos conferir o que eles fazem para passar o tempo, como enfrentam essa condição e como aproveitam o período.
O mapa revelará alguns momentos da viagem, com eventuais acontecimentos que aparecem na estrada, ou revelações dentro do veículo de transporte.







